quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Visa Pour L'Image - Perpignan IV

Há muito mais o que contar por aqui, mas não quero que faltem surpresas a quem vem ao evento. Posso adiantar que por aqui os únicos brasileiros que ví, foram o Paulo Siqueira, André Lyon (ganhador do prêmio Capa em 2012)e eu. E o incrível é que a gente de todo o mundo. Também não achei informação em português, portanto fiquem a vontade de me procurar caso se interessem em ir ao evento, posso dar dicas e ajudá-lo.

Visa Pour L'Image - Perpignan III (As Projeções!)


Mais de 2000 pessoas assitem às projeções noturnas que acontecem no pátio do Campo Santo, em meio à construções medievais, projetos com temas sociais, música e narração discutem problemas sociais do mundo todo. É realmente algo incrível de se ver, e a tela de projeção que deve ter cerca de 30m de largura é algo realmente involvente e emocionante.
A entrada é gratuita, mas prioritária para os participantes do evento. Não adianta chegar em cima da hora que você não acha lugar para se sentar, 30min antes é o mínimo para pegar um bom lugar, depois disso o risco é sentar no chão, e não achar o aparelho de tradução simultânea disponível.
Essas projeções são simplesmente fantásticas, eu gostaria muito de fazer algo assim no Brasil! Mas no Brasil um evento assim dificilmente vai para frente já que as pessoas não tem a compreensão de que alguém tem que ganhar para um evento assim acontecer, achamos que o lucro é um pecado, e pecado a fazer do lucro sua prioridade e não gerar lucro gerando empregos e bem estar social. Esse equilíbrio é difícil de mensurar, no Brasil ainda menos. Até os fotógrafos são acusados de ganhar dinheiro com o sofrimento alheio...

Visa Pour L'Image - Perpiganan II

Até o exércitos vêm falar do que fazem, tentam com imagens convencer que existem para o bem e fazem o bem...
As fotos são expostas nas paredes de antigos conventos, prisões fechadas, um hotel clássico que não funciona mais, ou igrejas históricas, o clima é de fraternidade entre fotógrafos e participantes do evento.
Estou dividindo um apartamento com um francês, um austíaco, uma inglesa, eu sou o brasileiro, mas está chgando um russo, e uma moça do Mali! Uma belga também vai passar umas noites no flat! É uma bagunça etnica, uma bagunça cultural realmente enriquecedora!

Visa Pour L'Image - Perpignan

Perpignan é o centro do Fotojornlismo mundial durante o Visa Pour L'Image, evento anual que acontece no início de setembro e reúne os maiores editores e fotógrafos do fotojornalismo.
Aqui o Fotojornalismo não é de uma grande imagem mas de histórias, fotógrafos de todo mundo contam suas histórias em coleções de imagens, esse fotojornalismo está quase morto no Brasil. Quase não há mercado para esse tipo de história, a imprensa que se diz de esquerda como a revista Caros Amigos parece não entender a importância da imagem, que em geral traz uma leitura rápida e emocional ao leitor, fazendo com o que mesmo se envolva muito mais nos temas tratados...
Falar com gente de todo mundo, inglês, espanhol, francês e português estão longe de ser suficientes para se comunicar por aqui, se você não entende fotografia, não há o que fazer aqui, a não ser que venha justamente para aprender.

O francês e meu francês...

Se você entende uma língua em geral fala a língua certo? Não, errado! Eu entendo razoavelmente bem o francês, mas não conseguia falar, estou tentando mudar isso nesse momento em viagem. Mas não falo isso por mim, e sim por enteder os franceses. Se você se dirige a um francês falando inglês, eles entendem, mas se recusam a responder, e eu sempre pensei que fosse por antipatia, mas percebí que alguns entendem mas não tem porquê aprender a falar. Aqui qualquer música tem versão em francês, percebam quantas músicas brasileiras ouvimos com versões em francês aí no Brasil! Aqui se faz sucesso logo lançam uma versão em francês. Agora faço esfoço para entender um povo que pensa que se você está aqui deve tentar falar a língua deles e não o inglês, só tentar faz com que o tratamento seja outro, faz com que o francês médio se empenhe em te ajudar! Agora difícil mesmo é o switch entre as línguas, português, francês, inglês e espanhol, a cabeça dá nó mon’amie!

Cabaçada, essa vai para o CSF, Cabaços Sem Fronteiras, ou em francês Les Cabaces Sans Frontier! Trata-se da nossa comunidade de cabaçadas no Facebook, um lugar de troca de más experiências e de informações sobre enganos que nós humanos fazemos que em geral têm consequências desagradáveis... Passei uma noite em Madrid, num hostel simpático, chamado Dulcinea, cerca de 50 Euros, era o melhor que se podia achar em Madrid, mesmo em tempo de crise. Tinha o meu vôo no sábado cedinho, 8h da manhã, o metrô começa a funcionar às 5:30h, desde o centro de Madrid não chegaria ao aeroporto às 6h que era o recomendado pela Iberia Linhas Aéreas, portanto reservei um hotel próximo a Barajas, o aeroporto internacional de Madrid. Fui de metrô à região do hotel e pelo mapa teria que andar um pouco para chegar ao hotel, ou teria que pegar um taxi, ao chegar à estação mais próxima do hotel, percebí que estava em um subúrbio, e que não havia taxis por perto, perguntei a um “rapper” que passava no local de calças arriadas e cueca laranja, onde era o hotel, ele falou que era pertinho, e realmente andei 2 quarteirões para chegar lá, ví que ao lado havia um restaurante chinês que parecia mais barato que o restô do hotel. Dei entrada no hotel e qual não foi minha surpresa ao ver o que tinha recebido por 54 Euros! Lindo o apartamento, piscina bacana! O quarto tinha uma vista bonita, apesar de ser em um suburbio, havia um parque na frente do hotel, e pelo que eu tinha entendido vendo o mapa meu hotel seria do outro lado desse parque e não junto ao metrô. Mas não esquentei a cabeça, abri malas, tomei banho, brinquei de pular na cama, sai para jantar, quando volto, quase 23h da noite, o recepcionista me pede a reserva do Agoda.com, e me diz “Está explicado, não achava sua reserva, porque você na verdade tem reserva em outro Hotel! É no Axor Feria e não no Axor qualquer coisa “ (que era o que eu estava naquele momento). Pega roupa, guarda tudo, põe o rabo entre as pernas e pega um taxi até o Axor Feria, um Ibis que parecia mobiliado na Etna ou Tok Stok. Mas o pior foi chegar 1h da manhã e sair às 5h para ir ao aeroporto... Não me cobraram o primeiro hotel. Dormi mal no segundo, demorei a relaxar, e meu vôo no dia seguinte atrasou e esperei no aeroporto por 4h até sair para Toulouse!

Aqui Madrid

Madrid: não ia parar em Madrid, a oportunidade de fazer um stop na cidade antes de seguir para Toulouse e então Perpignan apareceu porque queria falar com potenciais clientes, empresas que pudessem vender nossas imagens na Espanha ou que tivessem material realmente interessante para vendermos no Brasil ou América do Sul. Bom, na minha outra vinda a Perpignan 2 anos atrás, eu parei em Barcelona, e me impressionei com a cidade, todos falavam muito bem da maior cidade catalã, da arte, museus, urbanismo... Gostei muito na ápoca. Já havia passado 4 dias em Madrid para um treinamento em uma empresa espanhola na qual trabalhei, mas havia conhecido apenas o norte onde há prédios espalhados enormes, e hotéis metidos. Correria, à excessão do San Thiago Barnabeu, estádio do Real Madrid, não tinha gostado de muita coisa. Dessa vez, fiquei num Hostel no centro histórico, conhecí parques e museus, e falo com tranquilidade, Barcelona é para turistas, Madrid é uma cidade onde dá vontade de morar! A bicicleta não é o veículo mais difundido aqui, mas há muitas, um taxista me avisou que era perigoso pedalar em Madrid, não dei risada por respeito, Madrid é uma cidade que recebe bem o ciclista, não tem ciclovias em todas as partes, mas há um respeito pelo pedestre e pelo ciclista incrível! Conversando um pouco mais, percebí que o taxista estava irritado com turistas que alugavam bicicletas (como eu) e não usavam mais o taxi. Depois conversando com um taxista em um bar em Toulouse (aí sim uma cidade muito acolhedora e incentivadora da bike), percebí que para os taxistas a bicicleta é um problema, segundo o taxista ele faz hoje metade da quantidade de corridas que fazia quando não havia o sistema público de aluguel de bicicletas! Metade! Sim a cidade é plana, sim a cidade é diferente de São Paulo, sim, já sei que você tem todos os motivos para dizer que a bicicleta não é transporte para São Paulo! Então voisla! Conheça o Metrô de Madrid! O melhor metrô que já andei no mundo! E as estações não são tão bonitas quanto às de São Paulo, os trens são bem pequenos se comparados aos nossos, de um trem para o outro há 7min de espera, em São Paulo devem ser 3min nos horários comuns e no pico deve ser de 1 em 1min! E porque nosso metrô é pior?!?!? Bom porque a malha gigante que há em Madrid permite que os trens sejam pequenos, há diversos caminhos e linhas para se chegar a um mesmo lugar, portanto não há necessidade de trens grandes, pois a demanda se divide por diversas linhas e estações, a cada 500m há uma estação de metrô e quem anda de metrô? Turistas que não sabem usar ônibus e quem precisa ir de um extremo ao outro da cidade, pois os ônibus funcionam muito bem, com ar-condicionado, suspensão inteligente que abaixa para pegar os passageiros na rua e vibra bem pouco durante a viagem, os motoristas não tratam os passageiros como gado! E isso sim é importante! Se um motorista de ônibus brecar subitamente e uma velhinha se machucar no ônibus, já era, perde a licensa, vai para reciclagem, paga multa e em reincidência pode ser preso, caso haja testemunhos de que houve imprudência! Igualzinho à São Paulo... Só isso é motivo para querer morar em uma cidade? Não!! Edward Hoper em um museu, Rafael em outro, ruas feitas para pessoas, há quase sempre mais espaço para o pedestre do que para os carros! A cidade não é plana, mas você anda quilômetros sem se incomodar, pois não está respirando gás de escapamento em quantidades absurdas, não está preocupado se um motorista vai esperar você atavessar ou não a faixa de pedestre, ele vai simplesmente parar! Motoristas acelerando forte?! Esquece, não é o estilo deles. Aqui a calma e o tempo estão a seu favor. Por isso um ambiente com muitas árvores canteiros gramados enormes, extremamente verdes, parques muito grandes, com arquitetura em que qualquer predinho é um deleite aos olhos desse brasileiro aqui. A crise!?!?! Sim a crise está presente, e muito! No metrô a cada parada entra um novo artista desempregado, desde os peruanos com suas flautas que já invadem São Paulo há alguns anos, e por aqui também estão, até senhoras espanholas de boa aparência cantando óperas acompanhadas de um sistema de som sobre carrinhos de mala! Alquila é a palavra que mais se vê em cartazes pela cidade, a segunda é Rebajas. A primeira significa aluga-se, a segunda promoção ou descontos. Gente pedindo dinheiro nas ruas, polícia chegando às praças e estrangeiros que vivem aqui ilegalmente correndo, pois estão sendo perseguidos pelo país que por muito tempo fez bom uso de mão de obra barata, já que não havia espanhóis para trabalhos “sujos”. Na entrada do aeroporto, fiscalização intensa, pedem todos os documentos que podem afim de impedir a entrada de estrangeiros, a única coisa que os tranquilizou foi a passagem para França. Mas sim Madrid é mais atraente para mim que vivo em uma cidade grande. Espe que não deixem de levar a cidade em consideração, como eu fiz por tantos anos!